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Dez Anos É Muito TempoLembro-me como se fosse hoje. Era um dia frio de Janeiro de 1993, em Eindhoven, onde estava a trabalhar há alguns meses, e não havia nada de muito urgente para fazer. Com computadores à disposição que deixavam os sistemas nacionais a léguas, resolvi entreter o dia a fazer um estudo estatístico sobre o sistema de pontos de ranking da FPB, que na altura era 100% cumulativo (em cada ano o coeficiente das provas aumentava de modo a dar mais relevo às provas do ano, mas sempre a somar). Mostrei os defeitos do sistema, criei as bases do actual método de corte de uma percentagem dos pontos acumulados nas épocas anteriores, resolvendo a maior parte dos defeitos que existiam no método anterior. Curiosamente, a FFB, que tinha originado o método português, chegou às mesmas conclusões uma época depois, e adoptou quase exactamente os mesmos parâmetros que nós preconizámos então. De lá para cá os pesos das épocas anteriores baixaram drastica e erradamente, na nossa opinião, mas isso é outra história. De qualquer modo, pouco tempo depois voltei a Portugal e mostrei o estudo ao Engº Soares de Oliveira, à época Presidente da FPB. Mal ou bem o estudo agradou e pouco tempo depois vi-me "metido" numa "coisa" que se chamava Conselho Técnico. Vi-me também a frequentar pela primeira vez as Assembleias Gerais da FPB, onde 0.2% a 0.4% dos filiados foram melhor ou pior decidindo os destinos do Bridge nacional durante uma década, tal como o tinham feito nas décadas anteriores. E desde a primeira AG que formei uma convicção, pela qual me bati ao longo destes anos, de que o modelo necessário para o Bridge nacional era um modelo piramidal (FPB - Associações - Clubes - Filiados). Passaram-se dez anos, e ainda há pouco tempo as (algumas) opiniões contrárias (influentes) eram categóricas no sentido da manutenção do modelo actual. Felizmente que ao longo destes anos se foram despertando algumas consciências, e felizmente também que surgiu o Paris Bridge, e outros clubes, com toda uma geração de novos valores, sangue fresco, novas ideias e individualidades descomprometidas com o "establishment". A nova geração incluía um tal Dr. Pedro Pimenta que, honra lhe seja feita, teve a coragem de colocar no papel os sonhos e as ideias de quem defendia uma estrutura piramidal para a FPB. Coragem que também teve o Paris Bridge, de tomar a cabeça na luta pela apresentação deste novo projecto de estatutos. Sinceramente, e apesar de dez anos ser muito tempo, não esperava que mais de 90% dos presentes na AG de 25/1 dissessem estar de acordo com a passagem dos modelos actuais para um modelo em pirâmide. Estive presente em toda a AG. Não disse uma única palavra, por dois motivos:
E os dez anos que passaram? Foram tempo perdido? Curiosamente, e depois de "sentir" a AG, penso que não. Todo este período serviu para transformar as mentalidades e preparar as pessoas para a transformação que agora se segue: A das estruturas. Soares de Oliveira, Nuno Matos, Rodrigo Cunha, Inocêncio Araújo, e tantos outros que se bateram pela alteração, não estavam "à frente no seu tempo". Acho que estavam no tempo certo. E tiveram um trabalho que culminou nos mais de 90% de votos favoráveis à mudança. Obrigado a todos. Mas muito em especial, parabéns e um obrigado infinitamente grande ao Dr. Pedro Pimenta. Obrigado por ter aparecido no Bridge com a energia, coragem, saber e espírito de iniciativa para criar coisas novas. Rui Marques Voltar a Artigos Gerais |
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