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Comentário

A minha primeira reacção ao ler a carta de resposta foi a de ler isso mesmo: Uma carta. Pessoal. Porque entre os comentários eram referidas também passagens de um email pessoal, que não passava de um texto privado com problemas e questões a debater e esclarecer, estritamente no plano das relações de trabalho e cooperação com os membros da Comissão Instaladora. Surpreendeu-me por isso que me fosse pedida a publicação da resposta tal qual. Mas aqui está, online, dentro do espírito de abertura que desde o início do site tenho  tido a todas as solicitações que me vão chegando.

Merece contudo alguns esclarecimentos concretos, para que não fiquem nuvens no ar acerca dos motivos do meu artigo e das razões por detrás do mesmo.

Em primeiro lugar, o artigo não se dirigia à actuação dos orgãos existentes (FPB, Comissões Regionais, Associações Regionais ou Comissão Instaladora da ARBL (que vou designar daqui em diante por CI para abreviar). Dirigia-se em geral ao ambiente que sinto que se vive em torno da zona de Lisboa, e em particular à actuação SOBRE esses orgãos. O momento é suficientemente importante para que TODOS sem excepção tivessem a força suficiente para deixar a CI, a FPB e as ARs/ CRs fazer o seu trabalho. Não me parece provável que a CI tenha até hoje trabalhado sem nenhumas pressões (se assim fôr, ainda bem). Quanto à FPB, penso serem públicas boa parte das pressões que têm existido no pouco tempo de mandato. Dirigia-se, sobretudo e como faço muitas vezes, a transmitir estados de alma, resultantes da leitura pessoal de sinais, objectivos ou subjectivos, pequenos ou grandes, que me levam a conclusões que podem ser erradas mas que em geral não andam longe de uma das muitas verdades possíveis.

A CI, ao ler dois textos completamente diferentes, com objectivos diferentes (um, quase dissertação sobre o que sinto que se passa nos bastidores e que penso que pode vir a ter reflexos sobre o trabalho da CI e da FPB no período de transição que de certa forma já começou, e sobre o meu estado de alma em relação a tudo o que tenho visto nos últimos tempos, outro um email PESSOAL e de trabalho, que já foi respondido pelo Inocencio num tom perfeitamente construtivo e a esclarecer a maior parte senão todos os pontos que levantei) e ao misturar a resposta aos dois (ou pelo menos ao deixar um influenciar a resposta ao outro) penso que não terá partido do ponto certo, neste particular.

De qualquer modo,

1 - A ARBL é futura, não é presente. Presente é a Comissão Regional de Lisboa, que nunca teve existência física embora tenha existência por força dos estatutos. Até ao dia 18 de Junho, a ARBL não existe. Existe sim uma Comissão Instaladora.

2 - Em tudo o resto não vejo qualquer menção ao artigo publicado, a não ser (e mais uma vez repito) que a CI pode ter presumido que as pressões a que me referia no artigo eram exercidas por parte da mesma. Não é o caso. E em momento algum tomei publicamente as posições referidas no ponto 2 - "Primeiro por em causa a necessidade ou oportunidade da criação da ARBL, e quando (....) inviável essa estratégia acusar a CI de exercer pressões e de ir com muita pressa".

3 - Pelo contrário, nas reuniões que tive com a CI ou com elementos seus, entrei de alma aberta, como sabem, e com um espírito construtivo de colocar todos os problemas sobre a mesa para serem discutidos EM SEDE PRÓPRIA. Não os trouxe para a praça pública, nem trarei, por entender que não é o local apropriado para se ter reuniões ou discussões de trabalho. A CI entendeu colocar no ar acusações de conotação com grupos de pressão, interesses particulares, ambições dissimuladas, que não entendo como me podem ser atribuídas em público a partir da leitura do meu textinho!

4 - As pressões a que me pretendi referir no artigo eram as que poderão vir a ser - ou estarão a ser - exercidas sobre as organizações do bridge nesta época de mudança. Citando: "Saberão os dirigentes que ainda terão de ser eleitos depois da aprovação formal dos estatutos e convocação das respectivas eleições, ser isentos e defender os interesses do Bridge, preservando os alicerces do Bridge Desportivo? Saberão os responsáveis, "opinion makers", dirigentes, resistir à tentação de pressionar? Esperamos que sim, pela saúde do Bridge." ESPERAMOS que sim. Não entendam isto como "achamos que não", que não é o caso. Aliás, nas várias conversas privadas que tive sobre o elenco da CI e eventual Direcção da ARBL, ou parte dela, reiterei sempre a minha confiança na mesma. Talvez o tom demasiado pessimista do artigo se prenda mais com a minha opinião pessoal acerca do momento que o Bridge atravessa, com (entre outras questões) clubes a pressionar sistematicamente jogadores para se mudarem, personalidades de referência em atrito e desgaste constante, muitas vezes por motivos de lana caprina, jogadores a dizerem que "para me chatear com A ou B prefiro ficar em casa", um ambiente que eu acho demasiado mau em torno dos torneios em Lisboa...

5 - Os timings que a CI impôs a si própria e o esforço hercúleo que está a fazer para conseguir ter tudo pronto para eleições a tempo da futura Direcção da ARBL entrar em funções e preparar a época com a Direcção da FPB, são difíceis de cumprir, até porque as CRs/ARs necessitam todas do calendário de provas nacionais antes de férias, para planear a época. Com a escritura da ARBL a ser celebrada a 18 de Junho, acho difícil que possam ser cumpridos, em tempo útil. Se forem, óptimo, maravilha, vamos em frente. Se não forem, também o mundo não acaba ao virar da esquina e estaremos todos aqui para resolver o problema.

6 - Não pretendi atacar a CI no artigo. Levantei problemas no email, para discutir, e aos quais aliás o Inocencio prontamente respondeu, esclarecendo praticamente todos. Não entendo portanto o tom quase epidérmico da resposta da CI, que se devia ter cingido em público ao que veio a público no Lusobridge. A minha expressão "campo de pressão" pretendia designar um "campo onde exercer pressão" por parte de outros indivíduos ou entidades. Se eu achasse dever atacar a CI nos pontos em que a CI se está a sentir atacada, tê-lo-ia feito sem colaborar com a mesma inclusivamente no planeamento das provas da próxima época! O trabalho da CI e o trabalho pessoal dos indivíduos que a compõem merecem-me o maior respeito, e não deixarei de continuar a colaborar com a mesma para resolver os problemas que penso que existem ou poderão vir a existir. Aliás, e para que não fiquem dúvidas, desde que integrei a Direcção da FPB sob a presidência do Engº Nuno Matos, ao lado do Inocêncio e do José Moraes, que me bati pela modificação dos estatutos da FPB no sentido em que avançou (embora pense que a estrutura ideal é absolutamente piramidal: Filiados - Clubes - ARs - FPB, e não semi-piramidal: Filiados - Clubes/ARs - FPB). Para esta estrutura era essencial a criação da AR de Lisboa. Nessa altura, tentámos. Tiveram de passar alguns anos e mais dois mandatos (se a memória não me falha) para que o projecto seduzisse um número suficiente de pessoas até o tornar irrecusável. E não costumo mudar de ideias assim tão rapidamente, em relação a projectos e filosofias. Acreditem que estou convosco, desde que ao longo de todo o processo sejam acautelados os pontos que devem ser acautelados.  Aliás, se repararem... "as intenções destrutivas de alguns podem levar a uma hecatombe da qual poderá ser difícil sair depois" não é propriamente uma frase que se possa adaptar à Comissão Instaladora e ao trabalho que os seus membros têm feito!!!

7 - Há muita coisa gira para fazer no mundo... E o estado actual do Bridge que me rodeia não me proporciona prazer algum. Não falo do meu clube, onde continuo a arbitrar e organizar com o mesmo entusiasmo do primeiro dia, e a tentar proporcionar a todos os jogadores o maior "value for money" do mercado, apesar da insidiosa publicidade negativa em torno do mesmo. Falo do que costumo chamar o "meta-Bridge", ou seja, o ambiente nos bastidores, as relações entre personalidades de referência, as intrigas, invejas, mentiras, etc. Existem "evoluções genéticas" que gostam destes ambientes e têm a sua "Golden Hour" alimentando-se dos mesmos. Eu não. O meu ideal de dia de trabalho é sentado à secretária, por exemplo, a produzir conteúdos, a debitar ideias, a planear torneios, a escrever regulamentos, a trabalhar para o desenvolvimento do Bridge. De TODO o Bridge. Não o consigo fazer com tanto gosto quando ao mesmo tempo tenho de passar pelo menos metade do dia a responder a situações que em nada contribuem para o tal crescimento sustentado que defendemos. Nunca abandonei nenhum barco a meio, como todos os que me conhecem sabem, e é minha intenção cumprir todos os mandatos e compromissos até final, com mais entusiasmo e vigor que no primeiro dia. Mas o futuro irá acabar provavelmente no último dia do último mandato ou compromisso, porque o mundo é "mais maior que grande".

8 - Finalmente, e em relação à lamentação da falta de acesso aos meios privilegiados a sites ou chats, a CI e todos os filiados e não filiados, praticantes ou adeptos da modalidade, têm uma porta completamente aberta no Lusobridge e no Forum. Mais aberta no Forum, por facilitar a gestão da informação (para publicar a resposta e este comentário em tempo útil, são neste momento 3:32 da manhã de dia 1/6...) mas de qualquer modo sempre aberta. O Lusobridge surgiu como um projecto online, prioritariamente para dar suporte à publicação dos resultados dos simultâneos, mas quase instantaneamente evoluiu para suprir necessidades prementes (à altura), e tenho a honra de ter contribuído com este cantinho que já ocupa 250 MBytes no servidor, para aumentar a divulgação, o debate, a informação, etc. E quem quiser tem a porta aberta para dizer de sua justiça. Tão privilegiados como qualquer um de nós (inclusivé eu). Desde sempre, apenas me reservo o direito de eliminar linguagem menos própria ou conteúdos que afrontem o que acho, na minha subjectividade, dever ser o projecto Lusobridge. São milhares de horas de trabalho gratuito em prol da comunidade, em áreas que se todos usassem sem complexos ou restrições seriam aproveitadas muito mais em prol do Bridge do que o (felizmente muito) que já são. A CI tem uma porta aberta para a apresentação e debate de ideias. Disponham.

Rui Marques

Nota: Escrevi de enfiada este texto, pelo que espero que me perdoem algum erro ortográfico ou má arrumação dos conteúdos. Obrigado aos muitos amigos pelos comentários (a favor e contra) o que eu escrevi no artigo. Perdoem também eventuais interpretações provocadas por alguma palavra minha mal escolhida. Espero que o texto acima tenha servido para esclarecer o mais possível. E não se preocupem que de qualquer modo não vou já já embora! Chega de desabafos... Vou dormir (04:00, alvorada às 07:30...)

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