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A ATITUDE COMPETITIVA

Talvez uma das razões que tornam o Bridge um desporto fascinante seja o seu elevado grau de exigência a nível psicológico. No Bridge competitivo, principalmente, e entre dois jogadores de igual nível e com a mesma "sorte", vence sistematicamente aquele que se encontra psicologicamente melhor preparado.

Há diversos pontos do jogo onde a resistência mental é posta à prova. Por exemplo:

  • Quando os adversários conseguem um bom resultado depois de um psíquico, é necessário saber acalmar e partir para o jogo seguinte sem a "sede de vingança" que leva o jogador a tentar "devolver na mesma moeda", com o resultado mais que provável de mais um zero na coluna errada.

  • Quando se tem um "zero" por culpa própria (ou do parceiro), é fundamental ter consciência de que o jogo seguinte é outro, diferente, e não começar a jogar sem ter serenado o espírito.

  • Depois de um grande resultado, muitos jogadores ficam durante largos minutos num estado letárgico de auto-elogio que os faz normalmente perder a concentração para o jogo que entretanto começaram a jogar.

  • Mesmo sabendo que um torneio de Bridge comporta pelo menos 24 mãos, e que no final do torneio as energias têm tendência a ficar um pouco por baixo, a maioria dos jogadores não consegue deixar de comentar ao pormenor todas as mãos, gastando assim as reservas que poderão ser necessárias no final da sessão.

É importante ter consciência de que durante um torneio é necessário uma disponibilidade física e mental a toda a prova. As preocupações do dia-a-dia não devem interferir na capacidade de discernimento dos jogadores.

Claro que em termos de atitude o jogador "perfeito" não existe. Contudo, há uma série de "truques" que se forem aplicados conscienciosamente levam à melhoria imediata do rendimento global do par:

  • NUNCA discutir mãos no meio do torneio. Todas as discussões devem ficar para antes ou depois das provas. Usar a folha de previsões para anotar os resultados e também os pontos a discutir no final.

  • Depois de um bom ou mau resultado, pô-lo para trás das costas e começar a mão seguinte concentrado ao máximo. Pode-se, por exemplo, contar até 10, pausadamente, antes de retirar as cartas da carteira. Cada jogador tem a sua técnica para descomprimir entre mãos. Descubra a sua.

  • Jogar pausadamente, com um ritmo certo. As variações do "tempo" só ajudam os adversários.
  • Jogar CONCENTRADO! Uma falha de concentração no momento errado é o suficiente para apanhar um zero desnecessário.

  • Usar os tempos mortos para descontrair e descansar o espírito (nomeadamente quando o declarante é o parceiro).

  • Fixar um objectivo para cada torneio. Pode ser a vitória absoluta, os 10 primeiros, acabar acima da média, enfim, o que cada jogador entender como uma vitória pessoal. Jogar sempre com a convicção de que se é capaz de atingir esse objectivo. A vontade permanente de vencer é tão ou mais importante que a capacidade técnica.

  • Encarar o torneio como uma competição desportiva. Mesmo quando se joga "para distrair", atirar cartas para cima da mesa não deve ser propriamente agradável, sem falar do facto de que se prejudica ou beneficia aleatoriamente adversários que não têm culpa nenhuma!

  • Não confundir desportivismo com indulgência. Se ocorre uma irregularidade à mesa, deve sempre chamar-se o árbitro. Não há nada mais anti-ético do que poupar os amigos e chamar só contra os outros (ou não chamar de todo).

  • Não ficar perturbado com as chamadas ao árbitro por parte dos adversários. A não-intencionalidade de todas as faltas está subjacente à natureza do jogo. Quando um adversário chama o árbitro, tem esse direito. Cabe ao árbitro dar-lhe razão ou não, e cabe aos jogadores aceitarem pacificamente e de bom grado as decisões do mesmo.

  • Estar mentalmente preparado para algumas chamadas "tácticas", onde infelizmente o propósito (consciente ou inconsciente) do jogador que chama o árbitro é desconcentrar e desestabilizar psicologicamente o adversário.

  • Conhecer o código. Desconfiar dos jogadores que decidem à mesa, dizendo que sabem o código e que "é assim". Um jogador que conhece verdadeiramente o código CHAMA O ÁRBITRO, pois sabe que só as decisões deste são válidas!

E sobretudo, jogar com um sorriso!

Afinal de contas, quando o dia acaba e vamos todos dormir, alguns com o doce sabor da vitória e outros com o amargo da derrota, e apesar de se tratar de um desporto que exige muito de nós, algo cá dentro nos diz que "é apenas um jogo".

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