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Europeus de Juniores

2004

A selecção portuguesa de juniores teve uma prestação que se pode dividir nitidamente em duas partes... Como diria La Palisse, a primeira e a segunda. Nos primeiros 12 encontros, três derrotas no "25", outra contra a Croácia (do nosso campeonato) por 23-7 e mais uma por 20-10 contra a Sérvia/Montenegro (uma das equipas mais fracas em presença) marcaram o resultado e provocaram alguma reacção de desilusão nos meios locais. As opções do capitão João Faria que, com uma equipa pouco homogénea, resolveu legitima e naturalmente lutar pelo melhor resultado possível colocando "no banco" alguns jogadores durante a maior parte do tempo acabaram por pagar dividendos, com uma segunda parte excelente (7 vitórias, 4 resultados de 23 ou mais e só uma derrota abaixo dos 10), para uma média de 16,3 PVs que seria suficiente para um 12º lugar final (perfeitamente ao alcance se considerarmos que os primeiros 12 encontros eram teoricamente mais fáceis). Um jogo desassombrado permitiu por exemplo cilindrar a França, candidata à partida a uma das medalhas, e jogar de igual para igual com as restantes equipas de topo (conseguindo inclusivamente algumas recuperações que demonstram um bom nível de maturidade). Mais um pouquinho (provavelmente os PVs a mais que poderíamos ter captado das equipas na primeira metade da prova) e estaríamos com a equipa a lutar pelos dez primeiros lugares! Pensamos que Portugal tem valor para uma classificação deste tipo, com a equipa que levou. As corajosas opções tomadas pelo capitão podem ter espantado por não serem habituais em equipas jovens, mas entre uma prova com um alinhamento semi-automático e provavelmente a terminar nos 23º-26º, e uma prova a lutar pelo melhor possível, no 17º lugar final em que ficámos, provavelmente esta última opção terá sido, em termos de futuro, muito mais educativa para todos os intervenientes, se estes tiverem aproveitado a ocasião para aprender.

O espírito de luta, o "fazer o melhor possível", o "até ao fim", são qualidades competitivas essenciais para uma selecção nacional. A classificação obtida foi BOA. A prestação dos nossos jogadores também.

Individualmente, António Palma mostrou todo o seu talento, reflexo não só das qualidades inatas que possui, mas também da excelência da formação que recebeu, apesar de vir de uma região interior. 22º no Butler entre mais de 100 jogadores! Os outros elementos com maior experiência também tiveram boas prestações, com João Barbosa acima da linha de água no Butler e os manos Braga, ainda que "negativos", em valores absolutamente razoáveis e a mostrar também o bom trabalho de formação e as qualidades que possuem. Dos dois elementos menos experientes, Nuno Dâmaso teve uma prestação brilhante, terminando muito acima do que inicialmente se poderia esperar (e apesar do ónus dos primeiros encontros, muito maus), mostrando uma boa adaptação a um ambiente completamente novo e por vezes intimidante. Terminou "na média" no Butler, o que é mesmo muito bom para primeiro contacto internacional e tendo jogado em várias parcerias diferentes ao longo da prova. Pedro Saavedra jogou em apenas três encontros, e acabou por "pagar o preço" da falta de experiência e do relativamente pouco tempo que tem desta modalidade, em comparação com o restante da equipa.

Esperamos que não desanime, e que esta experiência lhe incuta um espírito lutador e determinado a vencer. Há mais Europeus para disputar, e na próxima edição certamente estará mais maduro, forte e eficaz.

Gerir uma equipa é uma tarefa complexa, mas as qualidades pedagógicas, técnicas e humanas do João Faria dão-nos a confiança de que fez um grande trabalho com os jogadores de que dispunha, e que no meio desse trabalho os SEIS jogadores aprenderam muito e saíram de Praga com orgulho de representar Portugal.

Obrigado, João Faria, Pedro Saavedra, Nuno Dâmaso, Rafael Braga, Ricardo Braga, João Vide Barbosa e António Palma!

Obrigado à Federação Portuguesa de Bridge pela coragem das opções tomadas e pelo apoio ao Bridge junior.

Rui Marques

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